A completa ausência do escolhido do T. me dói de um jeito estranho.
Me dói como pessoa, porque estávamos indo por um caminho muito legal, e obviamente, no mínimo, gosto dele. Não deu tempo de se apaixonar claro — mas meus sentimentos por ele passam de um crushzinho, por exemplo.
Me dói como alma porque sinto que estou falhando com o T. e com o L. por não conseguir levar o relacionamento com aquele escolhido pelos dois para ser minha família para frente.
Mas… Ontem, indo à minha mestra, minha perna começou a ter hematomas surgindo do absoluto nada, ao longo do dia todo. E surgiu outra mordida de criança, na mesma perna da mordida que se tornou cicatriz mês passado, mas na parte da frente da coxa dessa vez.
Considerando que essas duas coisas só aconteceram uma vez na minha vida, quando meu tio estava fazendo merda comigo e refazendo o feitiço cujo objetivo é impedir-me de gozar de minha completude como mulher, decidi parar de procrastinar e anotar a lista dos ingredientes do ebó que a Taurina recebeu de Oxalá durante a leitura de búzios.
Listarei nesse post mesmo, para expor, assim me sinto mais obrigada a cumprir minha palavra já que parece que estou prometendo algo a terceiros (mesmo que não esteja, dá para o gasto, pelo menos).
Uma situação presente na minha vida me levou a refletir sobre quem seria o responsável caso alguém tome certa atitude após uma leitura de qualquer oráculo.
Algumas coisas me foram passadas pela minha mestre, embora eu ainda não tenha tido muitas aulas com ela: nunca falar de traição; não identificar responsáveis por assassinatos; advertir o consulente a não seguir ação que vise descobrir mais sobre o assunto temático da tiragem. E cumpri todas essas regras.
Uma das garçonetes do café no qual estudo diariamente pediu que eu visse o que havia ocorrido com o irmão dela, já desaparecido há dois anos. Ela (chamada aqui de S.) havia sonhado que ele estava morto e veio a mim para confirmação.
Confirmei, disse que a morte aconteceu no Rio de Janeiro, e que ele estava em um relacionamento sério na época. A garçonete pediu que eu informasse se ele estava solteiro ou não, pois havia a possibilidade de ele ter deixado um filho antes de falecer, o que prontamente vi ser inexistente nas cartas. Sim, o irmão havia morrido. Ele havia falecido durante um relacionamento sério, mas não há filhos deste relacionamento.
Ele havia morrido em uma viagem ao Rio de Janeiro, provavelmente para buscar uma vida melhor (isso me foi passado pela cigana). Vi mais coisas, sobre quem mandou matar e como ele havia morrido, e vi que foi por envolvimento com uma vida perigosa, da qual me viriam males e à família do falecido se eu revelasse. A cigana me orientou a não revelar, e não revelei.
Isso aconteceu há alguns dias. Hoje, ao chegar ao café, uma das outras meninas me disse que a garçonete para a qual fiz a leitura não veio para trabalhar desde então, e que justifica suas faltas pelo que revelei nas cartas algumas noites atrás. Imediatamente, me veio um senso de culpa além do imaginável.
Essa informação da ausência da irmã do falecido de seu trabalho me foi dita hoje, plenos vinte minutos atrás. E enquanto escrevo, sinto uma vontade imensa e irrefreável de chorar. Me sinto responsável.
As meninas estão tendo que lidar com um café razoavelmente cheio por conta dos dias de chuva, com uma funcionária a menos, e me sinto culpada. A culpa é minha, não é? Por revelar informações que levaram às atitudes da garçonete S., que decidiu por não vir mais ao trabalho.
Entretanto, a garçonete F. me disse que a S. nada mais soube através das minhas cartas. Eu só confirmei aquilo que ela já sabia. Pelo que entendi, a garçonete F. estava me dizendo que a responsabilidade não era minha, pois eu não havia dado nenhum fato novo sobre o qual a garçonete S. poderia se debruçar e que justificasse suas atitudes.
Mas não consigo ver dessa maneira. E por isso, comecei a debater em minha mente de quem é a responsabilidade de ações tomadas diante de uma tiragem de cartas?
A responsabilidade da falta contínua ao trabalho da garçonete S. é minha, por ser o motivo de suas faltas informações dadas a ela por mim? Ou a responsabilidade é dela, por faltar? Caso ela morra indo atrás das informações que eu não revelei, pois vi que seria perigoso, e a adverti que deixasse de lado, a responsabilidade seria de quem a mataria, pelo ato em si; dela, por ir atrás do que não devia; ou minha, por avisar que evitasse tal ação?
Tio Ben estava certo. Com grandes poderes, obviamente vêm grandes responsabilidades. Meu dom de clarividência e os outros que fazem de mim a alma de bruxa que sou, são bençãos ou maldições, neste caso? A responsabilidade das faltas dessa garçonete não é minha, por ser o gatilho? Até pode ser, mas não tem ela seu próprio cérebro para tomar suas próprias decisões e atitudes?
Continuo com vontade de chorar, me sentindo culpada? Com toda a certeza do universo. Se as outras meninas me culpam, não sei. Tenho que ser responsável pelo que revelo, não tenho? Será que não é melhor eu simplesmente não abrir mais cartas para ninguém, mesmo que peçam? Seria isso uma atitude herege de minha parte? Estaria eu negando dons que são bençãos ao invés de aptidões que vejo como maldições em horas como estas?
Seria melhor ter esses dons ou tê-los tomados de volta pelos Deuses, visto que aparentemente não tenho utilizado eles corretamente? Qual seria a forma certa tendo em vista não haver manuais? Devo entender a contínua presença de tais dons em meu alcance, uma aprovação das divindades de como venho utilizando-os, considerando que Deuses não têm misericórdia, muito menos com mortais que utilizam de dons dados por eles de maneira incorreta?
Para concluir esse texto, perguntei à garçonete F. e à garçonete I. se me culpavam pelas ações tomadas pela garçonete S., e ambas disseram que não.
“São as ações dela, não as suas. Você é uma cliente legal, faz a gente rir, confia na gente, a gente confia em você… Não teria por que responsabilizar você pelas atitudes dela, quando sabemos e ouvimos o que você contou para ela e não é a primeira vez que ela falta assim. Você só foi a mais nova justificativa”, disse a I., que não é muito de falar.
Ainda assim, fica a dúvida. De quem são as grandes responsabilidades advindas de tais grandes “poderes” (sendo, na verdade, os poderes dos Deuses e entidades, nós humanos, somente permitidos o acesso a eles, não seus “donos”)?
A meu ver, o oraculista tem o dever de traduzir o que o plano espiritual tem a dizer àqueles que não conseguem interpretar e traduzir os sinais de maneira instintiva — é outro idioma, tal como qualquer outro. Uma bruxa é uma nativa de tal idioma, se médium; enquanto outra que não tenha nascido com acesso ao mundo espiritual terá que se esforçar ativamente para tornar-se fluente. E das responsabilidades do consulente?
Já vi textos sobre responsabilidade dos oraculistas. O direito do consulente é saber a mensagem que o mundo espiritual tem a lhe dar. E dos deveres? Quais os deveres de um consulente ante uma tiragem?
Quem sabe em alguns meses eu consiga ter uma resposta para isso dentro de meu próprio desenvolvimento espiritual.
Me queimei rezando; derrubei 7 livros no meu pé enquanto tentava colocá-los no armário; meu baralho ficou gosmento de caramelo porque tinha na mesa; tive que sair sem minhas alianças, pois era o dia de agradar a Juno; esqueci de colocar meu talismã da Ísis no meu bolso antes de sair; me mandaram parar de embaralhar no café dizendo que eu estava atrapalhando com o barulho das cartas; meu cartão não pegou para eu subir de novo; errei a maquiagem; minha lente rasgou no olho; escorreguei no banho; meu porta-velas de 7 dias quebrou na minha mão e uma ponta do vidro dele cortou meu dedão.
Com tudo isso, óbvio que minha fé vai oscilando. E tudo piora quando não consigo achar o ankh que a Senhora Ísis me mandou comprar. Comprei. Lembro de tê-lo recebido. E enfiei no cu.
Mais uma vez, brigo com a minha mãe por sentir que ela está me criticando demais, e mais uma vez, ela está coberta de razão. Mais uma vez, ela sabia que eu deveria ter falado menos. Ela me avisou. Ela me avisou para aprender a calar a boca. E eu não fiz. Mas ela me avisou. Ela me avisou para segurar a onda. Não segurei. E ela me avisou.
Que caralhos… Toda vez que a questiono, tudo vai pelos ares.
Cansei… vou só ficar em casa para o resto da vida, mesmo. Para quê ir para o café todo dia? Para fingir que é uma rotina? Não tenho trabalho, não consigo ganhar nem um centavo. Se ela me expulsar agora, não tenho literalmente nada que seja de fato meu, nem o cachorro, já que ela que trouxe para casa. Não tenho amigos, não tenho envolvimento amoroso/afetivo com ninguém, minha única família, e ainda assim bem titubeante, é minha mãe. Minha psicóloga só me ouve porque ela recebe para isso — perderia o apoio dela assim que não pagasse mais. Não tenho mais alegria fazendo nada.
De quê adianta ficar indo à mestre? Gasto só o tempo dela e o dinheiro da minha mãe com isso.
Na verdade, para quê caralho estou escrevendo aqui? De novo, fazendo algo inútil e fingindo ser importante.
Finjo que coisas são relevantes para não enxergar a verdadeira fracote de merda que eu sou. Chega. Cansei de fingir. É mais fácil aceitar que realmente sou uma garotinha mimada que finge que decide coisas da própria vida que, na verdade, são decididas pela mãe. Todo esse tempo e não saí do lugar.
Não tenho mais vontade de fazer nada. Nem de chorar. Eu só estou… anestesiada, vazia. Eu não tenho outro humor. Só finjo que sim. Mas, na verdade, sou uma carcaça não só vazia por dentro, mas podre por fora.
Não tem utilidade manter esse blog de porra nenhuma. Nem boa bruxa sou, nem boa oraculista. Nem devo me chamar dessas coisas, na verdade.
Sou só uma farsante de bruxa e uma farsante de oraculista. Finjo que estou vivendo, quando, na verdade, eu nem vida tenho.
Nem deu tempo de eu terminar o registro sobre minha mãe me boicotar antes dela fazer de novo.
Eu realmente não entendo qual a tara dela em me ferrar e acabar comigo. Deve fazer ela se sentir muito bem consigo mesma, não faz sentido para mim que ela tenha qualquer motivação que não sádica. Ao final, ela escolheu o meu pai, o cara que ela chama de monstro mas do qual ela copia métodos para me derrubar e me torturar psicologicamente.
Mas ela não vai conseguir.
Tinha mandado mensagem para dizer que, coincidentemente ou não, o cara que minhas cartas disseram que é o escolhido do T. estava (e está, até agora, 18:38hs) sentado na mesa literalmente na frente da minha. Não sei porque avisei. Não sei porque eu fico fazendo isso.
A K. me avisou, a minha mestre me avisou, e eu mesma sei que não posso dividir tais experiências, principalmente se envolvem espiritualidade, com a minha mãe. Pra quê fui falar que ele está na minha frente?
O que eu fiz foi colocar meu próprio cú na reta, já que ela me ligou e gritou tanto comigo que eu fiquei tonta, e sei que tô com a expressão mais triste e abatida depois da ligação terminar. Estou tentando tirar a tristeza do meu olhar porque consigo senti-la; mas também sinto que não estou conseguindo.
Sei que antes eu estava com uma postura confiante e agora estou com uma postura derrotada. Que merda.
No momento, minha mãe está para Hera como eu estou para Hefesto. Juntando Sísifo que fica eternamente tentando rolar a pedra até o topo do morro, sou tipo uma evolução rara de algum pokémon, uma fodida que a mãe está jogando do que deveria ser sua casa ao mesmo tempo que fico inutilmente rolando a pedra por toda a eternidade para chegar ao que era para ser meu lar, mas não é.
Não tenho lar. Preciso de um apartamento para mim, alguma coisa assim, porque a última coisa que eu queria para mim mesma era me identificar 100% com a letra de Listen de novo. Cú.
É bem triste que eu não possa compartilhar minhas evoluções espirituais com a minha mãe. Ela sempre foi meu modelo como pessoa espiritualizada, oraculista, esoterismo no geral. E eu, como uma grandessíssima idiota, continuei desenvolvendo minha espiritualidade.
A K. e a minha mestre já tinham me alertado que minha mãe tentaria me rebaixar tanto no plano material, quanto nos planos sentimental e espiritual.
Mas como que eu seguro minha maldita língua que não sabe calar a boca? Às vezes, queria que meu Câncer sobrepujasse meu Gêmeos e acontece exatamente o contrário.
Meus ombros esquentaram com energia enquanto eu meditava e Ísis permitiu-me canalizar à Tua presença. E achei legal contar isso para a minha mãe, porque não sei calar a boca. Ísis me disse que minha mãe não vai mudar, e que quando eu precisar de uma mãe, devo voltar-me à Grande Mãe — ela não falou se era para orar a ela ou qualquer face da Deusa funciona para isso. Ísis também me disse para acender uma vela prata sob a lua quando minha fé oscilar.
Estou doida para continuar escrevendo minha meditação, mas tenho certeza que abri portais enquanto escrevia, porque fui ficando quente por inteiro. Aí, parei.
Ih, acho que escrever aqui também. Fui
Que eu esteja protegida em nome da Terra, Ar, Fogo, Água e da Deusa que reina tudo que existe. Que assim seja e assim será.
E não é minha fé, especificamente. Desde que me entendo por gente, eu sei e considero como um dos pilares da minha existência a presença de divindades de todos os panteões. E, por isso, digo que estou na pior fase da minha vida.
De dois dias para cá, esse meu pilar desmoronou. Não sinto nenhum plano espiritual conectado a mim, mesmo que o Tarô diga que minha mediunidade está aberta – tanto não está que eu não consigo interpretar mais as cartas, sejam elas o Baralho Cigano, Lenormand, dos Orixás, Tarô, ou as Runas de Bruxa, o I-Ching, até mesmo o pêndulo. Normalmente peço à Hécate, Apolo e Fortuna por bençãos para a adivinhação; mas pedindo aos três, não consigo interpretar carta nenhuma. Só consegui quando pedi somente ao Tarô, sem envolver divindade nenhuma. O que não me é normal.
Eu sempre achei que minha interpretação dos oráculos estava ligada aos meus profundos e variados estudos sobre eles, lendo vários livros de várias correntes e assimilando graças à superdotação. Entretanto, descobri ontem que meu estudo não me permite interpretar as cartas – creio que meus estudos sejam uma agulha: furam todas as cartas; e a minha espiritualidade, a linha dessa agulha, ou seja, aquilo que dá significância e sentido às leituras. E só percebi isso porque não tenho espiritualidade nenhuma no momento e, justo agora, não consigo mais juntar os significados de carta A com carta B para completar uma leitura.
Estou preocupada. Sei que Hécate (se ela existir, lógico) vê que estou com um bloqueio, e sei que Ela não me punirá por quaisquer comportamentos hereges no momento, assim como os outros Deuses – se eu sei que alguém fechou minha estrada ao mundo espiritual, Eles também sabem, inclusive muito mais que eu.
Mandei mensagem à mestre, porque estou desesperada… Mas ainda há 5 dias até a data marcada. 5 dias que vou rezar só por desencargo de consciência, e escrever cartas aos meus meninos pelo mesmo motivo.
Minha descrença no momento é tanta que acho uma baboseira essa coisa de reencarnação e de eu conseguir entrar em contato com “meu marido” e “meu filho” da vida passada e que realmente tem um filho ligado a mim por mais de 350 anos, pois seríamos celtas.
Não entendo mais nada. Estou muito confusa. Pedi à Deusa por orientação, mas será possível receber tal orientação sendo eu uma pessoa ateia no momento?
Que seja abençoado (novamente, por desencargo de consciência)
Fui na mestre como ela mesma tinha marcado. Na penha, sozinha, mas foi tudo bem durante o trajeto.
Cheguei lá às 14h, e o plano era ficar até 22hs, mas eu tomei a decisão de levantar e ir embora por mim mesma quando as coisas começaram a ir ladeira abaixo.
Não que qualquer dia eu vá contar isso à minha mãe, considerando que qualquer coisa que saia do roteiro que ela quer para a minha vida em qualquer aspecto ela arranca, não importando o quanto vá doer já que já tem raízes em mim.
(Incrível, minha mãe foi no café no qual eu estava escrevendo e veio só para brigar. Interrompeu meu estudo e estragou meu dia, como ela de fato gosta de fazer. Nem consegui meditar… Justo hoje que eu queria perguntar à Deusa sobre ontem…)
Enfim… Eu sei que carrego um peso gigantesco por causa da hereditariedade do meu pai – ser descendente de família de coronel do Nordeste inclui o sangue preto africano e indígena brasileiro que corre em minhas veias através de estupros e agressões. E sei disso. E sei que tenho o dever (e também a vontade) de seguir minha ancestralidade. De garantir que o sofrimento daquelas que deram suas vidas e passaram por muitas dores e injustiças… de garantir que nada tenha sido em vão.
A única outra pessoa que eu já vi beber daquele jeito que a mestre bebeu é o meu pai e o pai dele. O dia foi passando, e ela foi ficando estranha. Comentários sexuais sobre mim, querendo ficar me apertando, pegando, essas coisas.
Não ouviu mais mantra nenhum, passou direto pro sertanejo. Levantei e fui embora.
Agora… ela tinha prometido que não aconteceria de novo já que isso aconteceu exatamente assim quando nos conhecemos. E me pergunto se devo confiar nela para continuar o aprendizado. Já quebrou minha confiança e voltou atrás em sua palavra uma vez. Eu queria ter conseguido perguntar para a Deusa o que devo fazer, se devo confiar na mestre novamente…
Meu filho chama ela de madrinha quando fala comigo e com ela… Mas não consigo confiar os cuidados do meu bem mais precioso a uma pessoa desse jeito, esteja eu viva ou não.
Credo, como eu sumi. Deveria ter mais compromisso comigo mesma sobre escrever aqui, né?
Depois do descarrego, percebi que meus mamilos invertidos não estavam tão invertidos — que eu talvez não odeie crianças por vontade própria.
Ligando vários pontos ao longo desses 22 dias, me toquei de que havia um feitiço para eu não ser mulher. Azar do meu tio e da esposa dele, já que menstruei pela primeira vez aos 9 anos, e o primeiro feitiço foi feito em 2010.
Sei agora que sou celta, cigana e bruxa, e despertei todo esse potencial do acúmulo das minhas vidas passadas, considerando que fui bruxa em absolutamente todas elas. Sei que o T. é minha alma gêmea, e que infelizmente ele está desencarnado. Sei que o nosso filho, L., um lindo menino loiro com olhos verdes, reencarnou comigo e será meu primeiro filho.
Há de se questionar se estou acreditando demais na palavra da minha mestre espiritual, tendo em vista a falta de provas de que tudo que ela falou é verdade. Entretanto, eu ser perseguida por crianças chamadas L., loiras dos olhos verdes; minha mãe também ser perseguida por crianças com essas mesmas características; eu ver meu filho andando comigo por aí com a mão no meu ombro; e o flash que tive do T. me abraçando por trás com as mãos na minha barriga grávida antes do pai dele nos assassinar, a ele, a mim e ao nosso bebê que nem nascera ainda…
Entendo que meu tio nesta vida é meu sogro — aquele que matou a minha família inteira e eu mesma na vida passada — e obviamente tenho medo do que ele pode fazer por dinheiro e avareza. Mas é meu dever e meu destino ser a melhor mãe que o L. deve ter, pois ele merece; aguentar 23 anos ouvindo que odeio crianças e não queria filhos, e mesmo assim ficar ao meu lado esse tempo todo e não desistir de mim… esse moleque merece tudo de bom que o universo tem a oferecer, e garantirei que assim seja. Meu tio não encostará um dedo sequer no meu bebê. Já basta ter feito feitiço para eu não engravidar e deixar de ser mulher espiritualmente, abrindo mão do dom maior da Grande Mãe, o dom de gerar vida em seu próprio corpo.
Não tenho como agradecer à Hécate por toda a proteção que ela vem me fornecendo ao longo desta vida. Não sei o que seria de mim a essa altura se ela não tivesse segurado a maioria dos ataques que recebi — as coisas já foram dignas do Campo de Asfódelos, imagina sem a proteção da Deusa.
Bom, hora de começar minha rotina para ir à casa da minha mestre celebrar o Sagrado Feminino.