
Percebi hoje que deveria ter comemorado Litha dia 21 ou dia 22 deste mês.
Não sou fã de natal, odeio, sempre odiei, e pedi desculpas à Deusa e ao Deus Conífero para comemorar Litha no dia que seria comemorado o Natal; de fato, será meu primeiro Litha após me desprender das tradições machistas e patriarcais que vêm junto da sociedade brasileira que força a cristandade naqueles que nunca nem pensariam nela sozinhos.
De acordo com o “Anuário da Grande Mãe”, pode-se escolher como tema a história de uma divindade de fogo descendo às profundezas, e já que minha mãe sempre brincou de me chamar de Perséfone dada minha clara preferência a flores e frutos em tudo que escolho para mim mesma, acho que estou decidindo tematizar este meu sabbat justamente sobre o sequestro de Perséfone por Hades e sua forçada estadia no submundo grego.
Tenho que organizar o altar para poder comemorar à meia-noite, quando as pessoas estarão erroneamente comemorando o “nascimento de Cristo”, quando na verdade é o solstício de inverno no hemisfério norte, e de verão no hemisfério sul. Caramba, a Igreja realmente roubou tudo sem criatividade alguma das religiões pagãs para construir a sua.
Preciso acender velas laranjas e vermelhas, colocar alecrim em meu altar – inclusive acho que vou usar alecrim como incenso para a oração. Como oferenda para os Espíritos da Natureza… não tenho pão, nem leite, nem manteiga nem gengibre – estar com a minha casa sem telhado e ter que morar num flat minúsculo acaba afetando a disponibilidade de ingredientes… Infelizmente, mel terá que bastar.
Para a comemoração em si, o que devo consumir em homenagem ao ápice do Deus Sol e sua infortuna derrota pelo Deus Sombrio, causando sua queda ao submundo… também não tenho pães especiais, frutas, batatas assadas, hidromel ou vinho branco com especiarias. Tenho cidra de maçã – e preciso cortar alguns ramos de lavanda, de alecrim, de arruda… Não tenho um saquinho de pano vermelho para costurar um talismã, mas vou fazer um com sal grosso, lavanda, alecrim e fechar para colocar embaixo do travesseiro da minha mãe – já que ela mesma está buscando aumentar sua oniromancia.
Enquanto o horário não chega, vou continuar minhas anotações enquanto estudo “O tarô da saúde” – quero descobrir o quanto os feitiços cruéis feitos pela a minha ex-avó e ex-“tia” afetaram a minha saúde e da minha mãe. Inclusive, saber como está a saúde deles, simplesmente para ter a informação já que nunca sabemos de nada mesmo. Com o meu tio internado com “problema na cabecinha”, que é o que ele fala que eu tenho pra quem se dispor a ouvi-lo por mais de dois segundos… parece que o karma finalmente está chegando a ele e que A Roda da Fortuna está finalmente girando a meu favor. 23 anos disso, chega. Que ele pague por todo mal que causou não só a mim, mas a minha mãe e aos nossos espíritos protetores – não importa o quão poderosos são, e infelizmente não sei um meio de identifica-los, mas proteger a nós duas durante os últimos quinze anos, especialmente comigo somente adotando a bruxaria este ano, não deve ter sido nada fácil.
Que seja abençoado.
A fazer:
- Cortar alecrim
- Cortar lavanda
- Cortar arruda
- Fazer talismã com sal grosso, lavanda, arruda, alecrim no saquinho dourado que usava paras cartas
- Oferecer cálice de cidra de maçã
- Tomar cidra de maçã
- Acender velas laranjas e vermelhas

