
Tudo que poderia dar errado hoje, assim o fez.
Me queimei rezando; derrubei 7 livros no meu pé enquanto tentava colocá-los no armário; meu baralho ficou gosmento de caramelo porque tinha na mesa; tive que sair sem minhas alianças, pois era o dia de agradar a Juno; esqueci de colocar meu talismã da Ísis no meu bolso antes de sair; me mandaram parar de embaralhar no café dizendo que eu estava atrapalhando com o barulho das cartas; meu cartão não pegou para eu subir de novo; errei a maquiagem; minha lente rasgou no olho; escorreguei no banho; meu porta-velas de 7 dias quebrou na minha mão e uma ponta do vidro dele cortou meu dedão.
Com tudo isso, óbvio que minha fé vai oscilando. E tudo piora quando não consigo achar o ankh que a Senhora Ísis me mandou comprar. Comprei. Lembro de tê-lo recebido. E enfiei no cu.
Mais uma vez, brigo com a minha mãe por sentir que ela está me criticando demais, e mais uma vez, ela está coberta de razão. Mais uma vez, ela sabia que eu deveria ter falado menos. Ela me avisou. Ela me avisou para aprender a calar a boca. E eu não fiz. Mas ela me avisou. Ela me avisou para segurar a onda. Não segurei. E ela me avisou.
Que caralhos… Toda vez que a questiono, tudo vai pelos ares.
Cansei… vou só ficar em casa para o resto da vida, mesmo. Para quê ir para o café todo dia? Para fingir que é uma rotina? Não tenho trabalho, não consigo ganhar nem um centavo. Se ela me expulsar agora, não tenho literalmente nada que seja de fato meu, nem o cachorro, já que ela que trouxe para casa. Não tenho amigos, não tenho envolvimento amoroso/afetivo com ninguém, minha única família, e ainda assim bem titubeante, é minha mãe. Minha psicóloga só me ouve porque ela recebe para isso — perderia o apoio dela assim que não pagasse mais. Não tenho mais alegria fazendo nada.
De quê adianta ficar indo à mestre? Gasto só o tempo dela e o dinheiro da minha mãe com isso.
Na verdade, para quê caralho estou escrevendo aqui? De novo, fazendo algo inútil e fingindo ser importante.
Finjo que coisas são relevantes para não enxergar a verdadeira fracote de merda que eu sou. Chega. Cansei de fingir. É mais fácil aceitar que realmente sou uma garotinha mimada que finge que decide coisas da própria vida que, na verdade, são decididas pela mãe. Todo esse tempo e não saí do lugar.
Não tenho mais vontade de fazer nada. Nem de chorar. Eu só estou… anestesiada, vazia. Eu não tenho outro humor. Só finjo que sim. Mas, na verdade, sou uma carcaça não só vazia por dentro, mas podre por fora.
Não tem utilidade manter esse blog de porra nenhuma. Nem boa bruxa sou, nem boa oraculista. Nem devo me chamar dessas coisas, na verdade.
Sou só uma farsante de bruxa e uma farsante de oraculista. Finjo que estou vivendo, quando, na verdade, eu nem vida tenho.

